domingo, dezembro 04, 2016

O Solitário

Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda:
onde não há mais nada, ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.

Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar,

ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente
tornam seu júbilo ainda mais intenso.


(poeta checo nascido a 4 de Dezembro de 1875) 

(Tradução: Augusto de Campos)

1 comentário:

O Puma disse...

Por vezes sós

mas nunca isolados

Abraço